
É uma percepção comum: as gerações mais recentes já nascem sabendo rolar a tela, acessar redes sociais, postar vídeos e viver online. Embora isso pareça uma habilidade invejável, especialmente para as gerações anteriores que viveram uma vida analógica e às vezes tem dificuldades com esse universo digital; a verdade é que esse “poder” é muito mais negativo do que positivo. As crianças e adolescentes estão online por tanto tempo que isso têm afetado profundamente a saúde mental delas.
Recentemente, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) divulgou um estudo que aponta que 72% das crianças que fizeram parte da pesquisa tiveram aumento da depressão e diminuição do quociente de inteligência (QI) ocasionados pelo uso excessivo das telas. Além disso, quase metade das crianças e adolescentes apresentavam sinais de ansiedade, dificuldade de foco e irritabilidade causados por esse excesso, segundo pesquisa do Projeto Brief.
No levantamento, 77% das crianças já tinham celular. Esse índice sobe para 91% na faixa etária dos adolescentes. Não é preciso ir muito longe para ver que esse público está tão viciado em smartphones quanto o público adulto, só que para eles as consequências são piores. A falta de interação prejudica a sociabilidade, o desenvolvimento cognitivo e social, atrapalha a aprendizagem, memória e criatividade. A capacidade de foco fica cada vez pior, além de uma maior possibilidade de comportamentos impulsivos, aumento do estresse e dificuldade de formação de um pensamento crítico.
Adolescentes podem enfrentar ainda transtornos de imagem, maior risco de desenvolver depressão, ansiedade e baixa autoestima. Nessa conta entram também os transtornos de sono, de alimentação, riscos de sexualização precoce e maior risco de bullying e cyberbullying. Todas essas consequências estão detalhadas no Manual de Orientação da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), que orienta ainda sobre tempo recomendado de tela por faixa etária:
- Crianças de 0 a 2 anos – Sem acesso às telas de nenhum tipo;
- Crianças entre 2 e 5 anos – 1 hora por dia, com supervisão de adultos;
- Crianças entre 6 e 10 anos – limitar o tempo de tela ao máximo de 1 ou 2 horas por dia, com supervisão;
- Adolescentes entre 11 e 18 – Limitar o tempo de tela a 2 ou 3 horas e não deixar “virar a noite” jogando.
Vale ressaltar que o ideal é que crianças de até 5 anos não tenham acesso ao celular, pois de todas as telas o smartphone é o mais problemático: há menor possibilidade de supervisão e mais facilidade no acesso a conteúdos inapropriados.
Uma outra medida essencial é utilizar a tecnologia a favor das crianças e adolescentes. Existem ferramentas de controle parental nas plataformas mais populares. É importante que os pais e cuidadores saibam o que as crianças e adolescentes estão acessando, e incentivem outras práticas, como leitura, atividades ao ar livre e interações sociais presenciais. Cuidar da saúde mental dos mais jovens é uma medida de amor e construção de limites.