De repente o coração começa a palpitar, as mãos suam e a mente fica agitada. Muitas pessoas adultas já passaram por situações de ansiedade, mas o que alguns não sabem é que crianças também podem sofrer com o problema. Na verdade, elas têm apresentado mais esse quadro do que os adultos. É o que apontam os dados do Sistema Único de Saúde (SUS), que mostram que os casos de transtorno de ansiedade e outros transtornos em crianças e adolescentes ultrapassaram os dos adultos, entre 2013 e 2023.

Primeiramente, é importante pontuar: algum grau de ansiedade é normal. Faz parte do nosso quadro evolutivo. A ansiedade ativa no organismo a reação de luta ou fuga, tão fundamentais em situações de perigo. O que diferencia a ansiedade normal da patológica é o grau de sofrimento envolvido. Na infância, é comum que as crianças passem por momentos que ativam esse estado emocional: o primeiro dia de aula, a apresentação na frente dos coleguinhas, o medo de ficar longe dos pais…são muitas as situações nas quais a ansiedade pode aparecer.

Acontece que, em alguns casos, a criança sofre com o que chamamos de transtorno de ansiedade. Aquelas que são ansiosas costumam apresentar mais sinais de timidez, dificuldades de socialização e no aprendizado. Muitos familiares podem achar que é momentâneo, mas uma ansiedade não tratada pode perdurar na vida adulta e levar a outros problemas de saúde, como a depressão.

Entre as causas do transtorno de ansiedade existem os fatores genéticos – pais ansiosos, geralmente, correm mais riscos de ter filhos ansiosos -, ambientais, episódios traumáticos, uso excessivo de telas, entre outros. O excesso de superproteção da família pode levar a criança a desenvolver uma ansiedade patológica por entender que o mundo é um lugar perigoso. A negligência também pode provocar essa mesma consequência, pois a criança não se sente segura.

Existem alguns sinais que podem apontar para um quadro de ansiedade:

 * A recusa em ir para escola pode esconder uma ansiedade social importante;

* Hábitos repetitivos, como roer unhas ou agitar constantemente as pernas. Note se a criança tem “manias” e quando costuma fazê-las;

* Dores de estômago ou de cabeça frequentes sem causa clínica aparente;

* Alterações no sono significativas, tendo em vista que o sono costuma ser um indicativo do estado emocional das crianças;

* Irritação, choro frequente, agressividade e mudanças repentinas de comportamento.

A principal forma de avaliar se a criança tem ansiedade é por meio da avaliação clínica. Por isso é muito importante buscar ajuda profissional quando perceber alguns dos sinais relatados acima. O tratamento, em sua grande maioria, envolve psicoterapia. Mas alguns casos mais graves podem exigir medicação, sempre com orientação médica.

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